Florbela
Imaginada! O és
Não és real, já não.
Sonharam-te ao invés
vieste da ilusão!
Nasceste por incógnita
e vives agora em mim,
quando te leio, erudita!
mas de tristeza sem fim!
Iludiu-te a vida
e fez-te, ò alma perdida,
Cair por terra de outros
Tão fracos e loucos!
Caíste aqui no fútil
Sem querer, mas que fado!
Esforço de vida inútil,
Invisível e mal amado.
Barricada e incompreendida
eras tu o sonho de alguém,
quando só e adormecida
Voltaste ao teu além.
Voltaste para longe daqui
onde está o teu mundo de luz!
Feito de tudo e de ti,
Alma que vivemos e sonhamos!