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Histórias -> cidade
Autor da História: conceicao marques(saomarques) | Data: 2008-12-29 12:01:00 Ver o perfil do utilizadorver perfil do autor
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País e Localidade: Portugal
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Membro desde: 2008-12-29 11:28:00
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Apresentação desta história:
Uma gaivota sobrevoa, branca, o que sobra dos homens, o lixo. Há suavidade no seu voo. Há planura. Ela grita, ou grasna, ou guincha, e nesse som revela a sua bestialidade . Como os ratos, sobreviverá. Porque, tal como eles, se alimenta da imundice que cada homem acumula em toda a sua vida. E mesmo que o lixo se extinga ao extinguir-se a humanidade, durante muito tempo restarão os seus vestígios. E também de vestígios se alimentam os que sobrevivem.
Pontuação:

Autor: João Oliveira(proliv) Ver o perfil do utilizadorver perfil do autor Data: 2009-01-04 11:53:00
História de uma Gaivota

Planando sobre as ondas, aproveitando a força do vento forte das marés estão dezenas de gaivotas à procura de um peixe que salte fora das água para tentar comer as micro algas que abundam junto à costa.


Na terra há muito que não há lixeiras, nem ratos mortos, nem vivos, nem caixotes verdes deitados no chão com sacos cheios de restos de comida. Já nem existem pombos nem os velhos que os alimentam nas praças, não existe neblina toxica que pairava por cima das grandes cidades e que estas velhas gaivotas tanto gostavam. Sabia-lhes bem aquele composto passar-lhes por entre as penas!

Só se ouve as ondas e o vendo soprar na copa das árvores, os ruídos dos motores logo pela manha em alvoroço que indicavam que os humanos acabavam de deixar as suas casas e de depositar nos caixotes do lixo os saborosos restos do dia anterior, tudo isso já não existe.


Agora as pobres gaivotas têm de capturar animais vivos, não têm os humanos para lhes espalharem saborosos petiscos por todo lado.


Para onde terão ido? Que saudades têm elas dos homens!

Autor: João Oliveira(proliv_editor) Ver o perfil do utilizadorver perfil do autor Data: 2009-01-07 11:04:00
A despedida

Junto ao mar, um velho vagueia pela areia. Tão magro e fraco, os seus passos são cada vez mais espassados e mais curtos, parece que vai caír a qualquer momento. De repente uma gaivota branca pousa no seu ombro, o velho homem quase caí devido ao peso da pequena gaivota, não fosse a sua bengala e a pouca força que ainda lhe restava nos braços.


A gaivota pergunta-lhe ao ouvido: Para onde foi toda a gente?

O homem, rodando cuidadosamente a cabeça para a gaivota, levanta a mão em direcção ao céu e estica o dedo indicador. A gaivota, acompanhando este movimento, vislumbra o que parece ser um bando enorme de aves desconhecido e pergunta: Que pássaros são aqueles?

O homem, devolvendo o seu braço à posição inicial diz muito calmamente: Somos nós!

A gaivota pareceu não perceber mas também não se preocupou, limpou as penas do peito com o bico e depois esboaçou em direcção ao mar, o impulso que fez no velho homem derrubou-o de vez e este ficou caído na areia a ver o bando de metal voar em direcção a outro planeta.

O autor desta história e os seus participantes gostarima muito de receber o teu comentário!
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