Planando sobre as ondas, aproveitando a força do vento forte das marés estão dezenas de gaivotas à procura de um peixe que salte fora das água para tentar comer as micro algas que abundam junto à costa.
Na terra há muito que não há lixeiras, nem ratos mortos, nem vivos, nem caixotes verdes deitados no chão com sacos cheios de restos de comida. Já nem existem pombos nem os velhos que os alimentam nas praças, não existe neblina toxica que pairava por cima das grandes cidades e que estas velhas gaivotas tanto gostavam. Sabia-lhes bem aquele composto passar-lhes por entre as penas!
Só se ouve as ondas e o vendo soprar na copa das árvores, os ruídos dos motores logo pela manha em alvoroço que indicavam que os humanos acabavam de deixar as suas casas e de depositar nos caixotes do lixo os saborosos restos do dia anterior, tudo isso já não existe.
Agora as pobres gaivotas têm de capturar animais vivos, não têm os humanos para lhes espalharem saborosos petiscos por todo lado.
Para onde terão ido? Que saudades têm elas dos homens!